Posts Tagged ‘Narrativa em 1a. pessoa’

h1

Mais um Causo da Solteirona

maio 28, 2009

Devido ao sucesso de o Causo da Solteirona (risos) resolvi dar continuidade ao conto e à personagem.  Aconselho ler o texto citado antes de iniciar a leitura deste.

—————————————————————-

Achei que depois daquela cena infantil e patética de uma “balzaca” se esquivando de um beijo ardente ele fosse ignorar a minha existência. O fato ficaria apenas na minha memória e daqui a algum tempo seria esquecido. Não iria vê-lo mais. Mas o vi.

Sabe aqueles encontros casuais planejados? Então, tivemos um desses. Num cenário até um tanto romântico, debaixo de uma lua nova, numa noite de inverno. Estávamos sós, eu e o PhD, sentindo uma  brisa suave e ocasionais gotinhas de chuva que ajudavam a equilibrar a temperatura de nossos corpos. Falávamos de trivialidades para evitar os assuntos picantes e desconcertantes.  Empregos, planos para o futuro, férias, viagens…

No entanto, nossos olhos diziam tudo que não queríamos explicitar.  Eu não queria. Afinal, por que não me revestir de castidade já que pelo tempo de seca eu já poderia ter sido canonizada?

Os olhos dele quase me devoravam. Eu fingia que não via ou que não ligava.

Não bastassem os olhos, o corpo e o título, a situação era promissora e o papo dele me envolvia de uma forma que até me esqueci do medo.

Minha vontade foi de tomar a iniciativa e apagar de vez aquele meu lado infantil. O plano estava elaborado: Segurar ele pelo braço, ficar na ponta dos pés, passar a minha mão para trás da cabeça dele e concedê-lo um primeiro beijo que me tornaria inesquecível.

De fato, ele nunca vai esquecer a maluca que foi beijá-lo, tropeçou e caiu.

Eu nem precisei da bicicleta…

bridget2

Anúncios
h1

O Causo da Solteirona

maio 20, 2009

bridgetNa minha frente estava o cara perfeito… perfeito para uma noite e uma noite apenas.

Ele reúne todas as boas qualidades de um homem, e talvez todas as ruins também. Mas eu não queria um namorado. Queria apenas alguém que pudesse me livrar da carência e esquecer no dia seguinte. Alguém do tipo ideal para levantar a moral de uma solteirona que está a meses sem beijar na boca e a anos sem namorado, afogada na sua própria gordura e culpando a genética ou o ex por todos os problemas da sua vida.

Voltemos ao distinto rapaz: Alto, pele clara bronzeada, cabelo castanho bem claro, olhos de jabuticaba, atlético e PhD.  Qualidades quase impossíveis de coexistirem. Pois é, ele tinha todas elas, e o PhD era a que falava mais alto. Convenhamos, é um belo título.  Depois disso vinham empatados os olhos e as pernas. Os olhos muito vivos e ligeiramente puxados davam todo o ar de mistério à figura e pareciam desafiar-me: “Conquiste-me se puder”. As pernas, hum, acho melhor não comentar.

Nossa, como eu queria poder conquistá-lo. Só por uma noite, só por uns minutos.  Só para o meu ego ficar feliz e eu tirar de vez da minha cabeça a idéia de que não sou mais capaz.  Namorar muito tempo me fez achar que não sei mais as técnicas da “paquera” e agora, tenho duvidado inclusive da qualidade do que mais elogiam em mim: O Beijo. As pessoas dizem que beijar é igual andar de bicicleta, mas quando tento relacionar os fatos me lembro é do gosto do asfalto.

Ele estava ali, parado na minha frente, esperando apenas um pequeno sinal, talvez um sorriso delator ou um piscar de olhos mais provocante, para passar aqueles braços (e que braços) em volta de mim e segurar a minha cabeça por trás e me beijar como se eu fosse a mulher mais desejada do mundo e eu me esquivei. Fui embora rindo como uma criança como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse esperança nenhuma e principalmente nenhum desejo.  Eu ardia por dentro, mas tive medo. Medo de enfrentar a mim mesma e quem sabe, cair da bicicleta.