Posts Tagged ‘Mulher’

h1

Não tenha Medo…

setembro 21, 2011

Que você possa escrever uma bela história de amor.

E, se escrever, não tenha medo de falhar.

E, se falhar, não tenha medo de chorar.

E, se Chorar, não tenha medo de suas lágrimas.

Repense sua vida, mas não desista.

Não cobre demais de si nem do outro.

Dê sempre uma chance para si mesma.

Augusto Cury
Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis

Anúncios
h1

Mulher Guerreira

agosto 23, 2011

O Cortador de unhas e o alicate já te acompanham para o Box. Retirar a cutícula? Nada disso, só os fiapinhos que brotam nos cantos.  A Lixa vai dentro da bolsa para ser usada em trânsito, preferencialmente quando se está caminhando, ou correndo,  em alguns casos.

A Base é passada em horário de almoço, com um site de notícias aberto no tablet que você acessa já da cozinha. Ele foi eleito seu companheiro de refeições. Com a base passada, tudo que pode fazer agora é apertar, com muito cuidado, os botões do microondas que preparará a última das 10 lasanhas que você comprou no dia 5, e rolar a página de notícias. Lembrando que as lasanhas foram compradas para quando fossem extremamente necessárias, ou seja,  quando seu horário de almoço fosse extremamente reduzido.  Dez minutos e pronto, base seca e comida na mesa. Várias garfadas, escova no dente e rua.

O esmalte? Vai ter que ficar para a noite. A cor é escolhida pela memória, ou já cansou de pensar em escolher e usa sempre o mesmo vermelho de secagem rápida e camada única, se possível. Chega em casa cansada, toma o banho mais que merecido já sonhando com a cama.

Não fosse o alicate ali no Box, teria se esquecido das unhas. Já tarde da noite, pega o vidrinho de esmalte, o palito e o removedor, se ajeita na cama com travesseiros nas costas, mesinha do notebook no colo e começa a esmaltação. Quando termina de pintar, seus olhos já se fecham, mas você se sente uma vitoriosa, afinal fez mil e uma coisas no seu dia e ainda conseguiu fazer as unhas. Isso sim que é mulher guerreira. Com todo o cuidado, troca a mesinha por um dos travesseiros e dorme imóvel com as mãos sobre ele. Quando o despertador toca, confere se as unhas sobreviveram. “Ufa, essa noite elas aguentaram”. Você sai de casa correndo, mas feliz, afinal, não vai ter que comer lasanha mais uma vez.

Pior que lasanha, querida, vai ser engolir a chefe quando ela disser:
“Já vi que ontem você ficou só na folga né? Deu tempo até de fazer as unhas…”

Ocupada sem perder a elegância!!

h1

Terapia Eficaz

agosto 11, 2011


Brigas com o marido sempre deixaram Ana muito chateada. Ontem mesmo tiveram uma feia, mas hoje ela já está bem. As horas de terapia fizeram efeito.

Logo em seguida à briga, Ana enxugou as lágrimas e vestiu a sua clássica roupa de madame, fez carinho no cachorrinho e foi embora. Chegando ao Shopping ficou em dúvida se seria melhor passar no salão de beleza ou na loja de cosméticos. Decidiu pelos cosméticos. É melhor você pagar um pouco mais caro e poder levar a maquiagem para casa do que pagar caro e ter que deixá-la no salão. Satisfeita com sua decisão escolheu base, corretivo e pó, rímel, sombra, lápis e batom. Só o básico, que ela já tinha, mas não daquela marca. Agora não notariam a sua cara inchada de choro.  A make pedia uma roupa à altura e lá foi Ana em busca do vestido perfeito. Depois do vestido, comprou uma cinta para encolher a barriguinha e o quadril, afinal, precisava entrar no vestido que acabara de comprar. Para completar, foi à sapataria. Não se conteve e comprou três sapatos e uma bolsa de couro, estavam em promoção.  Além disso, trocou o celular, almoçou frutos do mar, e para encerrar escolheu um colar. Pronto, já bastava. Estava vingada, e a conta do brigão, estourada.

h1

Coragem, garota, coragem

fevereiro 3, 2011

Coragem, afirmou. Suas pernas tremiam e seus pés, descalços e resistentes, davam pequenas passadas para trás.

De longe, esticava um dos braços, no entanto, permanecia longe do motivo de tal comportamento inusual. Já estivera ali tantas outras vezes, mas nunca com tanta relutância. Seu corpo teimoso evitava avançar. Buscava força em seus pensamentos positivos e jargões roubados de livros de auto-ajuda que ocupavam o espaço de sua memória.  Não ajudavam.

Enquanto seu corpo recuava, a hora corria adiante. Precisava alcançá-la.

Conseguiu se aproximar. “Primeiro um pé, até eu me sentir confiante”, pensou, e logo voltou a resistir. Pedir ajuda seria constrangedor, não conhecia os vizinhos.  Travessa imaginou que seria uma excelente desculpa para conhecer o loiro, gato com cara de inteligente do apartamento da frente, mas refutou-se pensando que ele poderia considerá-la muito fresca ou coisa pior, o que seria péssimo para sua imagem.

Em sua batalha interna quase se esqueceu daquela que realmente precisava enfrentar. O relógio, estrategicamente posicionado, acusava o pular dos minutos.  Pensou no planeta, na França, no desperdício, nos seus cremes, naqueles que queria comprar, nos perfumes, no entanto decidiu-se por lutar. Era necessário e a vitória lhe traria confiança caso encontrasse o loiro gato com cara de inteligente no corredor. “Por ele!” gritou, exatamente antes de se atirar em um pulo, seguido de dezenas de outros debaixo daquela cachoeira gelada. O chuveiro havia queimado.

h1

Mistério

setembro 21, 2009

O que seria da vida das mulheres sem o mistério.  Ele é a pimenta que não deixamos faltar a cada minuto do nosso cotidiano.

Inventamos um monte de “serás” e fantasiamos um mundo totalmente novo , muito mais prazeroso e divertido que o mundo real. Adoramos ficar em dúvida. Mesmo quando queremos avidamente uma resposta, preferimos continuar na dúvida, seja para manter o mistério ou simplesmente para não arriscar ficarmos tristes.  Quer um caso típico? Te dou agora.

Nossa protagonista:Melissa, uma mulher, bonita, se diz segura e acredita viver um momento muito particular em sua vida. Um momento solteira.

Local: Uma cafeteria, no meio da tarde, cheia de gente desinteressante e música “motivadora”.

Situação: O rapaz de terno, sentado num canto da cafeteria demonstra dividir a atenção entre a nossa protagonista e a revista época em suas mãos. Essa, finge não perceber mas pergunta para a amiga.

– Será que ele ta olhando para mim? Bem que poderia né? Ele é lindo.

– Não sei amiga, eu estou de costas, não posso olhar.

– Ai, boba, olha pelo reflexo da janela. Ele num pára de olhar para cá. Tenho certeza. Será que é casado? De aliança ele não está, mas pode ter tirado. Será?

– O nome disso é trauma, amiga, depois daquele idiota do seu colega de trabalho você pensa que todo homem que olha para você é casado.

– Todo não, só os decentes. Mas são esses que eu sempre quero, droga.

– Olha, ele ta olhando para cá de novo.

– Eu acho que esse não é casado não, não tem nem marca de aliança, em nenhuma das duas mãos. Deve estar solteiro pelo menos desde o último verão.

– Você ta certa. Ele é Solteiríssimo. Com o que será que ele trabalha? Eu aposto que é advogado.

– Advogado não lê a época, ele deve ser um corretor da bolsa, afinal, ela fica a duas quadras daqui.

– Ou então um empresário. É um empresário está bom. Um empresário que não para de olhar para mim. Que sorte a minha. O que eu faço agora?

– Olha de volta, depois disfarça, sempre funciona.

– Ele acenou. Ele acenou com a cabeça, estava mesmo me olhando.

-Agora escreve um bilhete. Pegue esse guardanapo. Chama ele para sentar com a gente. Ele está muito solitário naquele canto. E quando ele chegar, nada de perguntar se ele é casado viu. Se ele não te contou não há crime algum.

– Pronto. Terminado. E ele ta olhando de novo.

-Olha,  a garçonete está bem atrás da gente.

Tomando um gole do seu café, como se fosse vodca, ela chama a garçonete.

– Oi, moça, por favor, você poderia entregar esse bilhete para aquele cavalheiro ali no canto. Disse ela rindo de vergonha. Ele, do outro lado, observava atentamente a cena.

– Não. Não posso.

– Como? Não te deixam entregar bilhetes aqui?

– Não, Não é isso.

Do outro lado do salão, o rapaz ria.

– Melissa não entendeu a risada, mas insistiu. Então por que você não pode entregar?

– Por que ele tem namorada.

– Ah é? Bom, disse Melissa voltando sua para o café, deve ser uma chifruda. Ele não parava de olhar para cá.

Quando Melissa completava sua frase com um “Coitada”, sentiu um vulto passando por suas costas. Virou para olhar e lá estava ele. Abraçando a garçonete.

Melissa e a amiga terminaram o café. Não deixaram gorjeta,  nem os 10%.

h1

No SPA…

julho 4, 2009

Sete horas toca a campainha. É a hora de acordar. Olho para o lado e a gordinha do meu lado só se vira na cama. Quero fazer o mesmo, mas se eu demorar a monitora vem apitar no meu ouvido. “Tá bom, só mais cinco minutinhos.”

“Piiiiiiiiiiii”

Levanto num pulo antes mesmo de abrir os olhos. Acho que os meus cinco minutos são bem maiores que os deles. “Esses vigias, até o tempo eles diminuem. Não basta a comida?”

Rosto lavado, roupa posta, barriga roncando. “Acho que comeria um elefante. Será que carne de elefante é gostosa? Ah, nem importa, qualquer coisa seria melhor que o nada que eu vou comer.” Cheguo ao restaurante. A decoração do salão está linda. Todos aqueles cartazes de pessoas magras que dizem: “Eu consegui. Você também consegue” e as fotos de antes e depois em cima de cada mesa são realmente animadores. Sim, eu vou conseguir, mas precisa ser tão radical assim?  Meia fatia de pão de forma sem nem margarina, um oitavo de maça e uma jarra, sim, uma jarra, de chá sem açúcar. Pensar que isso aqui tem que me fornecer energia suficiente para caminhar durante uma hora, fazer hidroginástica, para relaxar: sauna, e para finalizar a rotina da manhã, 30 minutos de bicicleta. “Tá bom, tá bom, eu concordo. Tenho reserva demais, mas podia perder dormindo, igual urso.”

Termino de comer e levanto da mesa já pensando: “Mulheres elegantes não sentem fome”, ou melhor , “Mulheres que querem ser elegantes não sentem fome.”  Ouço um ronco. Aquilo era qualquer coisa menos o meu estômago. Coloco o tênis e vou caminhar. Uma hora de caminhada até que seria tranqüila, faço todos os dias por recomendação médica, mas aquela magrela metida a “personal” gritando no nosso ouvido o tempo todo: “Vamos, aperta o passo”, “pensem no biquíni que vão usar no verão” irrita. Pior que ela, só a ladeira.

O resto da manhã foi tranqüila, tirando as duas colegas que desmaiaram na sauna.

O almoço: muita salada com uma colher de sopa de arroz integral. Aquele alface com tomates estava uma delícia.

Saio do almoço empolgada para as duas horas de nutricionistas falando sobre todos os tipos de regimes e reeducação alimentares, mas rapidamente pego no sono. “Como é bom dormir.”

“Piiii”

“De novo não”.  Depois da palestra, academia. E depois da ginática, minha parte preferida, o cinema.  Será que consigo ficar igual a Angelina? Claro que sim, 40 quilos não são nada. Logo em seguida, caminhada livre, ainda bem, não aguentaria aquela chata mais um vez. Aproveitando a liberdade, desvio da rota, e me deparo com um pé de amoras carregadíssimo. Coloco o máximo que consigo na sacola estratégica que carrego todos os dias, como algumas e volto para a prisão. À noite não tem programação da clínica, mas tem revista de quartos. Droga, levaram as minhas amoras.

“Que sono, que fome, e amanhã tudo se repete. Inclusive as amoras. Como eu queria um chocolate.”

h1

Mais um Causo da Solteirona – Será o fim?

junho 9, 2009

Para quem está aqui pela primeira vez, essa é a continuação, de uma “série” de Causos da Solteirona. Sugiro ler também os textos anteriores (O Causo da Solteirona e Mais um causo da Solteirona), de preferência, antes de ler esse aqui.

——————————————————

Lá estava eu, caída no chão, me sentindo a mulher mais estúpida do planeta, ou a mais azarada. Não tive coragem de levantar, apenas me ajeitei e fiquei sentada na calçada, com as mãos no rosto, me segurando para não chorar. Aquilo era infinitamente pior que qualquer tombo de bicicleta que já levei na vida.

O Meu PhD estendeu a mão para me ajudar a levantar.  Ele estava rindo da tragédia, ou da minha cara, por isso, não aceitei. Fiz bem. Logo em seguida ele abaixou e sentou do meu lado.

– Por acaso a vista daqui de baixo é mais interessante?

Contive o sorriso e fiquei alí, parada, ainda processando o ocorrido.  “Ele ainda riu de mim. É Claro. Qualquer um riria. Eu também estaria rindo se meu joelho não estivesse doendo tanto e a minha moral não estivesse a zero centímetro do chão”.

– Você se machucou?

– Não, só um pouquinho.  O joelho.

– Ah… Isso não foi nada. Vem. Você não pretende ficar nessa calçada a noite toda né? Minha casa é logo na outra rua, a gente faz um curativo em você lá.

Fosse outra a situação, já estaria imaginando o restante da noite envolvida naqueles braços, sentindo o cheiro delicioso do perfume dele enquanto dava beijinhos em seu pescoço. Mas não. Depois de tanto tempo sozinha, o primeiro cara que me chama para sua casa é para me fazer um curativo. Definitivamente, é o meu fim.

Levantei com a ajuda dele e fomos caminhando. A essa altura, eu já tinha desistido de tudo. Até das minhas fantasias. Estava mesmo condenada a ficar solteira para o resto da vida e nem com uns beijinhos casuais eu poderia contar.  “Eu sou mesmo um desastre de mulher” pensava, enquanto andava cabisbaixa e passos lentos. Ele, quieto, me acompanhava.

Chegamos a sua casa. Ele abriu o portão e me pediu para esperar no alpendre que ele traria as coisas. “Das duas uma, ou ele esconde alguma coisa, ou me acha indigna de entrar em sua casa. Certamente, é a segunda.” Corri o mais rápido que pude para o portão. Queria sair daquele lugar imediatamente e para sempre. Não queria mais vê-lo. Nunca mais. Não tive escolha. O portão estava trancado. Encostei a cabeça na parede e comecei a chorar e a silenciosamente resmungar:  “Ele não gosta de mim e ainda me faz prisioneira”.  De repete, uma mão encosta no meu ombro e ouço:

– Está doendo tanto assim?

– Está. Está sim.  Agora ainda arde. Disse, enxugando as lágrimas com a mão, sem conseguir olhar para o rosto do meu carcereiro.  (Melhor ser infantil mais uma vez que assumir o real motivo do choro)

Ele me colocou sentada em frente à porta e lavou meu machucado. Com uma mão jogava a água, e a com a outra segurava a minha mão, fazendo carinho. Já estava nervosa, e ele me tratando com tanto carinho me deixava furiosa.

– Já está bom. Disse quase ríspida, implorando o fim daquela tortura.

– Ok, deixe-me colocar o band-aid e dar um beijinho para sarar.

Acho que deixei transparecer a raiva. Afinal, como poderia aguentar um marmanjo dando beijinho no meu machucado?  É muita humilhação para uma só pessoa.

Ele colocou o curativo, me levantou, e imediatamente me segurou firme entre braços. Antes, ainda, que eu pudesse respirar, ele me deu o primeiro beijo inesquecível. Claro que não foi no joelho.

Em meio aos sininhos, ouvi-o dizer: – Quer entrar agora?

Agora sim, tudo estava perfeito. E os beijinhos no pescoço, garantidos.