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Sobre Loucos e seus Amores

junho 25, 2009

Trecho de “Uma Mente Inquieta” de Kay Jamison

“Nenhuma quantidade de amor pode curar a loucura ou iluminar nossas melancolias profundas. […] A loucura, por outro lado, sem a menor dúvida e com frequência consegue destruir o amor através da desconfiança, do seu pessimismo implacável, das suas insatisfações, do comportamento imprevisível e, especialmente, dos seus estados irracionais”.

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Agora um diálogo ilustrativo…

– Oi Amor… Amor? O que você está fazendo?

– Ah, oi.

– Lúcia?

– Silêncio!!

– Por que? O que você está fazendo?

– Estou escrevendo um texto.  Um texto lindo. Perfeito. Agora fica quieto senão as palavras vão se assustar e fugir do papel e depois vou ficar horas igual galinha procurando milho. Por falar em galinhas, você sabia que elas são canibais? Descobri isso hoje. Mas não é de propósito. Elas nem sabem que são. Coitadas.

– O que você está escrevendo? É sobre as galinhas?

– Galinhas, que galinhas? Eu estou escrevendo sobre um avião. Galinhas não podem voar. Eu quero coisas que voem.  Posso escrever sobre um pato.  Não, patos não. São muito patetas. Eu quero mesmo é um aviãzinho de papel. Eu gostava tanto quando era criança. Meu irmão vivia tacando uns em mim enquanto estudávamos na sala de casa. Nosso pai fingia que não via para num precisar brigar com a gente, mas a gente sabia que lá de longe ele estava rindo. Eu fingia que ficava com raiva, senão num tinha graça a brincadeira.

– Posso ver o que você escreveu?

-Toma essa porcaria logo de uma vez.

– Eu não entendo nada. Aqui só tem um monte de números.

– Claro, está criptografado. Eu não confio em você, você me trai. Todo mundo é traidor. Não se pode confiar em ninguém.

– Querida. Sou eu. Eu não sou traidor. Você sabe que eu te amo. Eu nunca faria isso.

– Ah.. é verdade, os burros amantes… Entregam-se e estragam-se.

– Lê para mim o que está escrito?

– Não sabe ler?

– Eu já disse, não consigo, está criptografado.

– Isso não é criptografia. É hieróglifo.

– Mas querida, são números.

– Você pensa que são números, mas eles sabem que são hieróglifos

– Eles? Eles quem?

– Oras, não é óbvio?  Os mosquitos.

– Eles não estão aqui agora. Você pode ler para mim?

– Claro que sim. Eu te amo. Eu faço o que você quiser. Deixe me ver:

Ah, claro: “Derrubei a tinta branca sobre o papel azul. De repente, tudo ficou laranja e escorreguei. Os calos nas mãos não tinham mais graça nenhuma. Esqueci a brincadeira e plantei bananeira. Ou seria amoreira?”.

– Querida, não era sobre avião?

– E é. Não está óbvio? O avião caiu.

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Opiniões, Análises, pitacos e críticas serão muito bem vindos. Contribua, esse é um post interativo.  Ele continua com a visão, e principalmente, com as palavras de vocês.

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