Posts Tagged ‘gordas’

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Ouvindo vozes

agosto 9, 2011

A voz da consciência No. 2 começou a berrar nos meus ouvidos depois que a No. 1 ficou afônica. O que ela diz? Digo já. Mas antes uma breve introdução de matemática básica. Quando se ganha mais do que se gasta, como ficamos? Ricos? É, pode ser, mas no meu caso eu fiquei foi gorda mesmo. Estava falando de calorias.

O que a voz da consciência No. 2 tem gritado é: Mira, já para a academia.

Eu não sei vocês, mas se existe uma coisa que eu não consigo fazer é ter motivação para malhar sozinha. Fico horas me sentindo “a estranha” numa academia. No entanto, “se sentir estranha” já virou luxo. O jeito é me espremer numa calça de ginástica, colocar um tênis e partir para a primeira fase: Encontrar a academia.

A natação com as crianças é muito divertida e as histórias das velhinhas da hidro são impagáveis e irreproduzíveis, mas o frio e a teimosia são tamanhos que a tal voz da consciência já diz: “Você tem é que malhar pesado e fechar a boca, buscar resultados antes que desanime mais uma vez.”

Tá bom, tá bom, voz da consciência, amanhã eu procuro uma academia…

Agora é sério. Quero mesmo uma nova atividade física para encaixar nas minhas manhãs de folga. Alguma sugestão?

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No SPA…

julho 4, 2009

Sete horas toca a campainha. É a hora de acordar. Olho para o lado e a gordinha do meu lado só se vira na cama. Quero fazer o mesmo, mas se eu demorar a monitora vem apitar no meu ouvido. “Tá bom, só mais cinco minutinhos.”

“Piiiiiiiiiiii”

Levanto num pulo antes mesmo de abrir os olhos. Acho que os meus cinco minutos são bem maiores que os deles. “Esses vigias, até o tempo eles diminuem. Não basta a comida?”

Rosto lavado, roupa posta, barriga roncando. “Acho que comeria um elefante. Será que carne de elefante é gostosa? Ah, nem importa, qualquer coisa seria melhor que o nada que eu vou comer.” Cheguo ao restaurante. A decoração do salão está linda. Todos aqueles cartazes de pessoas magras que dizem: “Eu consegui. Você também consegue” e as fotos de antes e depois em cima de cada mesa são realmente animadores. Sim, eu vou conseguir, mas precisa ser tão radical assim?  Meia fatia de pão de forma sem nem margarina, um oitavo de maça e uma jarra, sim, uma jarra, de chá sem açúcar. Pensar que isso aqui tem que me fornecer energia suficiente para caminhar durante uma hora, fazer hidroginástica, para relaxar: sauna, e para finalizar a rotina da manhã, 30 minutos de bicicleta. “Tá bom, tá bom, eu concordo. Tenho reserva demais, mas podia perder dormindo, igual urso.”

Termino de comer e levanto da mesa já pensando: “Mulheres elegantes não sentem fome”, ou melhor , “Mulheres que querem ser elegantes não sentem fome.”  Ouço um ronco. Aquilo era qualquer coisa menos o meu estômago. Coloco o tênis e vou caminhar. Uma hora de caminhada até que seria tranqüila, faço todos os dias por recomendação médica, mas aquela magrela metida a “personal” gritando no nosso ouvido o tempo todo: “Vamos, aperta o passo”, “pensem no biquíni que vão usar no verão” irrita. Pior que ela, só a ladeira.

O resto da manhã foi tranqüila, tirando as duas colegas que desmaiaram na sauna.

O almoço: muita salada com uma colher de sopa de arroz integral. Aquele alface com tomates estava uma delícia.

Saio do almoço empolgada para as duas horas de nutricionistas falando sobre todos os tipos de regimes e reeducação alimentares, mas rapidamente pego no sono. “Como é bom dormir.”

“Piiii”

“De novo não”.  Depois da palestra, academia. E depois da ginática, minha parte preferida, o cinema.  Será que consigo ficar igual a Angelina? Claro que sim, 40 quilos não são nada. Logo em seguida, caminhada livre, ainda bem, não aguentaria aquela chata mais um vez. Aproveitando a liberdade, desvio da rota, e me deparo com um pé de amoras carregadíssimo. Coloco o máximo que consigo na sacola estratégica que carrego todos os dias, como algumas e volto para a prisão. À noite não tem programação da clínica, mas tem revista de quartos. Droga, levaram as minhas amoras.

“Que sono, que fome, e amanhã tudo se repete. Inclusive as amoras. Como eu queria um chocolate.”