Posts Tagged ‘Crônicas’

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Ser Feliz no Trabalho

outubro 16, 2011

Na preguicinha de dia de chuva, resolvemos por não fazer almoço.

Enquanto comíamos observamos um determinado garçom. Fazia malabarismo entre as mesas e lotava as bandejas de copos vazios e latas de coca-cola. Sempre com muita pressa, sempre com muita euforia. Não deu muito tempo o caro colega, com a bandeja tão cheia que mal podia ver adiante derrubou vários dos vidros entulhados sobre ela.

Revoltado, limpou o chão catando caco por caco e gastou preciosos minutos ali naquele processo de amenizar o desastre. Chão limpo, voltou a lotar as bandejas, ainda com pressa e agora com raiva.

– Logo hoje eu tive que derrubar a bandeja. Comentou enquanto recolhia meu prato. Eu, para a amenizar a situação, ou não, respondi.

-Ah. Nem Liga, não foi a primeira vez que isso aconteceu e aposto que não será a última.

Ele para completar a conversa narrou a vez que estava entrando na cozinha com uma pilha tão gigantesca de pratos que não conseguiu ver um desnível no chão. Caiu, junto com todos os pratos entre o salão e a cozinha.

Eu para completar então respondi. “O importante é não se machucar”.

E o garçom mais que depressa falou: “Machucado ou não ele mandam vir trabalhar no dia seguinte do mesmo jeito, num importa se tá todo quebrado em casa”.

Não ousei mais abrir a minha boca, mas guardava dentro de mim a certeza que enquanto não se é feliz no trabalho, nem o simples serviço de carregar pratos será bem feito.

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Coragem, garota, coragem

fevereiro 3, 2011

Coragem, afirmou. Suas pernas tremiam e seus pés, descalços e resistentes, davam pequenas passadas para trás.

De longe, esticava um dos braços, no entanto, permanecia longe do motivo de tal comportamento inusual. Já estivera ali tantas outras vezes, mas nunca com tanta relutância. Seu corpo teimoso evitava avançar. Buscava força em seus pensamentos positivos e jargões roubados de livros de auto-ajuda que ocupavam o espaço de sua memória.  Não ajudavam.

Enquanto seu corpo recuava, a hora corria adiante. Precisava alcançá-la.

Conseguiu se aproximar. “Primeiro um pé, até eu me sentir confiante”, pensou, e logo voltou a resistir. Pedir ajuda seria constrangedor, não conhecia os vizinhos.  Travessa imaginou que seria uma excelente desculpa para conhecer o loiro, gato com cara de inteligente do apartamento da frente, mas refutou-se pensando que ele poderia considerá-la muito fresca ou coisa pior, o que seria péssimo para sua imagem.

Em sua batalha interna quase se esqueceu daquela que realmente precisava enfrentar. O relógio, estrategicamente posicionado, acusava o pular dos minutos.  Pensou no planeta, na França, no desperdício, nos seus cremes, naqueles que queria comprar, nos perfumes, no entanto decidiu-se por lutar. Era necessário e a vitória lhe traria confiança caso encontrasse o loiro gato com cara de inteligente no corredor. “Por ele!” gritou, exatamente antes de se atirar em um pulo, seguido de dezenas de outros debaixo daquela cachoeira gelada. O chuveiro havia queimado.

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Sobre Frutos Estragados

julho 27, 2009

Por tempos tenho passado por campos verdes, cheio de árvores viçosas e bem cuidadas. Vivendo uma vida feliz, sem ao menos perceber.

Tinha que ser Morangos!!!

Tinha que ser Morangos, não são frutos de verdade!! Viva às Metáforas!!

Hoje me dei conta de tão egoísta eu tenho sido. Tenho guardados todos os frutos das árvores apenas para mim. Além disso, ainda os deixo estragar empilhados num canto. Depois que estragam,  reclamo do mal cheio.

Fui eu que escolhi isso. Eu escolhi ser egoísta. Agora, devo agüentar o meu próprio lixo?

Nada disso. Eu vou fazer a faxina. Vou colocar as luvas (claro, isso está nojento) e enterrar todo esse lixo dentro de sacos biodegradáveis. Sim, enterrarei cada fruto mal aproveitado. Eles serão adubo para os próximos frutos que viram. Mais belos e deliciosos que os anterior, principalmente porque serão divididos.

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Euforia

junho 21, 2009

euforia

O dia está lindo hoje. O Céu não tem uma nuvem. Seu azul está muito forte. As árvores, vivas como nunca, agradecem cada raio solar que as atingem. Cada fóton, uma nova alegria. Os pássaros cantam, os pombos dançam. O Dia está em festa. A minha mente está em festa.

Penso muito mais rápido que escrevo e nas palavras faltam letras, meu coração bate rápido. Tum tum tum tum tum. A vida me chamou, eu aceitei. Saí de casa, fui ver o mundo. Quanta alegria, quanta euforia. Sem demora, lá estava eu, correndo. Um passo atrás do outro, saltitante.  Motivos para estar feliz? Tenho não. Deve ser apenas uma produção irregular de serotonina.  Uma supra-produção. Preocupada? eu? Claro que não. Eu vou é curtir. Um passo atrás do outro e as crianças ficam para trás. Mais um passo, me sinto bela. Mais um, já estou sorrindo. Não quero mais parar. Não vou. A coragem transborda, me sinto forte. Me sinto, me sinto muito acordada. Acho que nunca estive tão sóbria. Tão sensata. Tão inteligente. Tão misteriosa.

Dormir, para quê? Não durmo mais de três horas por dia. Já basta. Dormir é perda de tempo. Há tanta coisa para se fazer. Há tanta coisa para experimentar. Se há… E eu quero, eu quero tudo. Ouvir música lá no alto, dançar como se não tivesse fim. Sentir os ventos no cabelo, no rosto, e querer mais. Mais vento, por favor.  Acelero tanto, queria mesmo era chegar à velocidade da luz. Viver num mundo relativístico deve ser muito divertido. Meu tempo se contrai, e se estende, ao mesmo tempo.

Minha perna cansa, mas não a minha mente. Minha respiração está ofegante, mas eu não quero parar.  É inútil lutar com o meu corpo. Esse sedentário não sabe o que é ser feliz. Sento e descanso mesmo não estando cansada. Penso, mas é difícil organizar os pensamentos, mesmo tudo sendo tão claro.  Levanto e vou para casa. Vou comer mais chocolate, tomar coca-cola e falar para aquele idiota que o amo.

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Há Vagas

junho 15, 2009

O dia dos namorados passou (ainda bem, não aguentava mais tanta propaganda). Muitos cultivaram a paixão, outros aproveitaram a data para plantar sementes, outros ainda, menos sortudos, tacaram fogo na plantação ou sopraram as cinzas que sobraram. Pensando nas “sementes” resolvi publicar o texto abaixo.

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Há vagas

O começo de um namoro podia ser igual à seleção para um emprego. Isso não quer dizer que não gosto do romantismo. O que não me agrada é isso:

–          Oi, tudo bom?

–          Ah… sim. E você?

–          Eu to bem também.

–          Hum. Que bom!

Silêncio por uns 10 minutos

–          Você tá bonita hoje.

–          Obrigada, você também, tá bem bonito.

Silêncio por mais 10 minutos.

–          Fiquei sabendo que você está solteira.

–          Ah… é verdade, já faz um tempinho. Mas eu tô muito bem solteira. É bom ficar sozinha às vezes. A gente pensa mais em si mesmo.

–          É. Eu também estou solteiro. Ainda não encontrei a mulher ideal para a minha vida. Mas, o dia que eu encontrar, vou fazer dela a pessoa mais feliz do mundo.

Suspiro feminino e mais um silêncio. Dessa vez, ela decide falar.

–          Você sabe os filmes que tão em cartaz no cinema?

–          Não. Não sei.

–          Eu sou apaixonada por cinema.

–          Eu sei que sexta-feira vai estrear o novo filme do Brad Pitt . Eu posso ir assistir com você se quiser.

–          Nossa. Boa idéia. Eu tô querendo muito ver esse filme. Vou chamar a Carlinha para ir com a gente. Mas antes, eu preciso dar uma olhada na minha agenda.

–          Ok. Preciso ir agora. Me dá o seu celular que eu te ligo para confirmarmos.

Alguém me explica o porquê dela falar que está bem solteira se ela anda por aí com aquele decote e toda maquiada, principalmente quando vai encontrar com ele?

Alguém, por favor, me diga a razão de ele dizer que não encontrou a mulher ideal se sabe que ela está bem na sua frente?

Em seguida começa o papo de marcar um encontro mais “no clima de romance” na maior inocência do mundo. Depois que ela enfim consegue o tão desejado convite, ela inventa de chamar a tal amiga. Isso faz algum sentido?

Está certo que no dia marcado, a amiga vai ter uma reunião super importante com os forneceres da empresa, e ela, infelizmente, terá que ir sozinha ao encontro.

– Oi. Tudo bom?  A Carlinha não pôde vir, ela teve uma reunião.

– Nossa, que pena. O Marcão tava louco para conhecer ela. Né, Marcão?

– Ah, Claro. O Sérgio me falou muito bem dela.

– É. Ela é um doce. Pena que não veio.

Agora, a seleção:

curriculo

Na “placa” diz: “Há vagas para Namorado”

– Oi, Boa Tarde. Eu gostaria de me candidatar à vaga de seu namorado.

– Ah, pois não. Deixe seu currículo aqui que ele será analisado. Me diga: Quais são as suas intenções?

– Meu único interesse é a sua felicidade.

– Hum. Ok. Aqui está o telefone do R.H. Ligue amanhã para marcar a Dinâmica. Ela costuma ser realizada no cinema da cidade. Eu serei a psicóloga.

Muito mais interessante!  Não?