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Mistério

setembro 21, 2009

O que seria da vida das mulheres sem o mistério.  Ele é a pimenta que não deixamos faltar a cada minuto do nosso cotidiano.

Inventamos um monte de “serás” e fantasiamos um mundo totalmente novo , muito mais prazeroso e divertido que o mundo real. Adoramos ficar em dúvida. Mesmo quando queremos avidamente uma resposta, preferimos continuar na dúvida, seja para manter o mistério ou simplesmente para não arriscar ficarmos tristes.  Quer um caso típico? Te dou agora.

Nossa protagonista:Melissa, uma mulher, bonita, se diz segura e acredita viver um momento muito particular em sua vida. Um momento solteira.

Local: Uma cafeteria, no meio da tarde, cheia de gente desinteressante e música “motivadora”.

Situação: O rapaz de terno, sentado num canto da cafeteria demonstra dividir a atenção entre a nossa protagonista e a revista época em suas mãos. Essa, finge não perceber mas pergunta para a amiga.

– Será que ele ta olhando para mim? Bem que poderia né? Ele é lindo.

– Não sei amiga, eu estou de costas, não posso olhar.

– Ai, boba, olha pelo reflexo da janela. Ele num pára de olhar para cá. Tenho certeza. Será que é casado? De aliança ele não está, mas pode ter tirado. Será?

– O nome disso é trauma, amiga, depois daquele idiota do seu colega de trabalho você pensa que todo homem que olha para você é casado.

– Todo não, só os decentes. Mas são esses que eu sempre quero, droga.

– Olha, ele ta olhando para cá de novo.

– Eu acho que esse não é casado não, não tem nem marca de aliança, em nenhuma das duas mãos. Deve estar solteiro pelo menos desde o último verão.

– Você ta certa. Ele é Solteiríssimo. Com o que será que ele trabalha? Eu aposto que é advogado.

– Advogado não lê a época, ele deve ser um corretor da bolsa, afinal, ela fica a duas quadras daqui.

– Ou então um empresário. É um empresário está bom. Um empresário que não para de olhar para mim. Que sorte a minha. O que eu faço agora?

– Olha de volta, depois disfarça, sempre funciona.

– Ele acenou. Ele acenou com a cabeça, estava mesmo me olhando.

-Agora escreve um bilhete. Pegue esse guardanapo. Chama ele para sentar com a gente. Ele está muito solitário naquele canto. E quando ele chegar, nada de perguntar se ele é casado viu. Se ele não te contou não há crime algum.

– Pronto. Terminado. E ele ta olhando de novo.

-Olha,  a garçonete está bem atrás da gente.

Tomando um gole do seu café, como se fosse vodca, ela chama a garçonete.

– Oi, moça, por favor, você poderia entregar esse bilhete para aquele cavalheiro ali no canto. Disse ela rindo de vergonha. Ele, do outro lado, observava atentamente a cena.

– Não. Não posso.

– Como? Não te deixam entregar bilhetes aqui?

– Não, Não é isso.

Do outro lado do salão, o rapaz ria.

– Melissa não entendeu a risada, mas insistiu. Então por que você não pode entregar?

– Por que ele tem namorada.

– Ah é? Bom, disse Melissa voltando sua para o café, deve ser uma chifruda. Ele não parava de olhar para cá.

Quando Melissa completava sua frase com um “Coitada”, sentiu um vulto passando por suas costas. Virou para olhar e lá estava ele. Abraçando a garçonete.

Melissa e a amiga terminaram o café. Não deixaram gorjeta,  nem os 10%.

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