Posts Tagged ‘Cotidiano’

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Mulher Guerreira

agosto 23, 2011

O Cortador de unhas e o alicate já te acompanham para o Box. Retirar a cutícula? Nada disso, só os fiapinhos que brotam nos cantos.  A Lixa vai dentro da bolsa para ser usada em trânsito, preferencialmente quando se está caminhando, ou correndo,  em alguns casos.

A Base é passada em horário de almoço, com um site de notícias aberto no tablet que você acessa já da cozinha. Ele foi eleito seu companheiro de refeições. Com a base passada, tudo que pode fazer agora é apertar, com muito cuidado, os botões do microondas que preparará a última das 10 lasanhas que você comprou no dia 5, e rolar a página de notícias. Lembrando que as lasanhas foram compradas para quando fossem extremamente necessárias, ou seja,  quando seu horário de almoço fosse extremamente reduzido.  Dez minutos e pronto, base seca e comida na mesa. Várias garfadas, escova no dente e rua.

O esmalte? Vai ter que ficar para a noite. A cor é escolhida pela memória, ou já cansou de pensar em escolher e usa sempre o mesmo vermelho de secagem rápida e camada única, se possível. Chega em casa cansada, toma o banho mais que merecido já sonhando com a cama.

Não fosse o alicate ali no Box, teria se esquecido das unhas. Já tarde da noite, pega o vidrinho de esmalte, o palito e o removedor, se ajeita na cama com travesseiros nas costas, mesinha do notebook no colo e começa a esmaltação. Quando termina de pintar, seus olhos já se fecham, mas você se sente uma vitoriosa, afinal fez mil e uma coisas no seu dia e ainda conseguiu fazer as unhas. Isso sim que é mulher guerreira. Com todo o cuidado, troca a mesinha por um dos travesseiros e dorme imóvel com as mãos sobre ele. Quando o despertador toca, confere se as unhas sobreviveram. “Ufa, essa noite elas aguentaram”. Você sai de casa correndo, mas feliz, afinal, não vai ter que comer lasanha mais uma vez.

Pior que lasanha, querida, vai ser engolir a chefe quando ela disser:
“Já vi que ontem você ficou só na folga né? Deu tempo até de fazer as unhas…”

Ocupada sem perder a elegância!!

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Euforia

junho 21, 2009

euforia

O dia está lindo hoje. O Céu não tem uma nuvem. Seu azul está muito forte. As árvores, vivas como nunca, agradecem cada raio solar que as atingem. Cada fóton, uma nova alegria. Os pássaros cantam, os pombos dançam. O Dia está em festa. A minha mente está em festa.

Penso muito mais rápido que escrevo e nas palavras faltam letras, meu coração bate rápido. Tum tum tum tum tum. A vida me chamou, eu aceitei. Saí de casa, fui ver o mundo. Quanta alegria, quanta euforia. Sem demora, lá estava eu, correndo. Um passo atrás do outro, saltitante.  Motivos para estar feliz? Tenho não. Deve ser apenas uma produção irregular de serotonina.  Uma supra-produção. Preocupada? eu? Claro que não. Eu vou é curtir. Um passo atrás do outro e as crianças ficam para trás. Mais um passo, me sinto bela. Mais um, já estou sorrindo. Não quero mais parar. Não vou. A coragem transborda, me sinto forte. Me sinto, me sinto muito acordada. Acho que nunca estive tão sóbria. Tão sensata. Tão inteligente. Tão misteriosa.

Dormir, para quê? Não durmo mais de três horas por dia. Já basta. Dormir é perda de tempo. Há tanta coisa para se fazer. Há tanta coisa para experimentar. Se há… E eu quero, eu quero tudo. Ouvir música lá no alto, dançar como se não tivesse fim. Sentir os ventos no cabelo, no rosto, e querer mais. Mais vento, por favor.  Acelero tanto, queria mesmo era chegar à velocidade da luz. Viver num mundo relativístico deve ser muito divertido. Meu tempo se contrai, e se estende, ao mesmo tempo.

Minha perna cansa, mas não a minha mente. Minha respiração está ofegante, mas eu não quero parar.  É inútil lutar com o meu corpo. Esse sedentário não sabe o que é ser feliz. Sento e descanso mesmo não estando cansada. Penso, mas é difícil organizar os pensamentos, mesmo tudo sendo tão claro.  Levanto e vou para casa. Vou comer mais chocolate, tomar coca-cola e falar para aquele idiota que o amo.

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Mais um Causo da Solteirona

maio 28, 2009

Devido ao sucesso de o Causo da Solteirona (risos) resolvi dar continuidade ao conto e à personagem.  Aconselho ler o texto citado antes de iniciar a leitura deste.

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Achei que depois daquela cena infantil e patética de uma “balzaca” se esquivando de um beijo ardente ele fosse ignorar a minha existência. O fato ficaria apenas na minha memória e daqui a algum tempo seria esquecido. Não iria vê-lo mais. Mas o vi.

Sabe aqueles encontros casuais planejados? Então, tivemos um desses. Num cenário até um tanto romântico, debaixo de uma lua nova, numa noite de inverno. Estávamos sós, eu e o PhD, sentindo uma  brisa suave e ocasionais gotinhas de chuva que ajudavam a equilibrar a temperatura de nossos corpos. Falávamos de trivialidades para evitar os assuntos picantes e desconcertantes.  Empregos, planos para o futuro, férias, viagens…

No entanto, nossos olhos diziam tudo que não queríamos explicitar.  Eu não queria. Afinal, por que não me revestir de castidade já que pelo tempo de seca eu já poderia ter sido canonizada?

Os olhos dele quase me devoravam. Eu fingia que não via ou que não ligava.

Não bastassem os olhos, o corpo e o título, a situação era promissora e o papo dele me envolvia de uma forma que até me esqueci do medo.

Minha vontade foi de tomar a iniciativa e apagar de vez aquele meu lado infantil. O plano estava elaborado: Segurar ele pelo braço, ficar na ponta dos pés, passar a minha mão para trás da cabeça dele e concedê-lo um primeiro beijo que me tornaria inesquecível.

De fato, ele nunca vai esquecer a maluca que foi beijá-lo, tropeçou e caiu.

Eu nem precisei da bicicleta…

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