Archive for setembro \30\UTC 2009

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Memórias – O Diário

setembro 30, 2009

Adolescente pensava ser mulher. Grande, forte e decidida. Tinha opinião para tudo e poucas pessoas não estavam minuciosamente descritas em meu diário. O símbolo maior de minha inteligência e perspicácia, misturada com a ousadia, apimentado com algumas maldades infantis.

Como a maioria dos diários, ele não era tão secreto quanto a dona dele imaginava. Mais esperta era a minha irmã, que escrevia em código, coisa que eu, que tinha vivido pouco mais de uma década,  não tinha criatividade suficiente para fazer. Nem capacidade para decifrar o código dela eu tinha. Mas ainda me achava inteligente. A inteligência era do mesmo tamanho da minha ingenuidade. Deixava o meu caro companheiro, que nem cadeado tinha porque era agenda “Capricho”, em qualquer parte da casa. Aposto que minhas irmãs o liam. Que se divertiam dando risadas com as amigas das orações rebuscadas e ridículas que escrevia, dos planos mirabolantes, com ou sem trocadilhos, e das paixões que sentia por meninos que mesmo sem conhecer direito jurava ser o “Homem” ideal para minha vida. Juraria Amores eternos também se não achasse isso muito clichê. O meu diário era diferente do das minhas amigas. Eu era diferente.  Diferente e descuidada.

Certa vez, estava com um “namoradinho” em casa e meu diário estava em cima do piano, na sala. Em um determinado momento, minha irmã me chamou no quarto. Não lembro o que ela queria, mas não devo tê-lo deixado sozinho por mais de 5 minutos. Quando cheguei novamente à sala, encontrei-o abrindo a porta e sainda. Lembro de segurar a porta do elevador , e perguntar, quase chorando, o que tinha acontecido. Ele não falou nada. Apenas pediu que a soltasse. Quando voltei para o apartamento,  o diário estava fora do lugar. Agora, sobre o sofá.

Reli cada linha das várias páginas escritas procurando a resposta para aquela atitude estranha. Para aquele fim tão inesperado. Não a encontrei, existiam muitas possíveis respostas, mas nenhuma suficientemente esclarecedora.  Relembrei toda história que tivemos. Ela estava claramente registrada por palavras de uma menina boba e cheia de sonhos que acabara de perder a chance de realizá-los. Fechei o diário e o coloquei na caixa em que ele até hoje, junto com todos os outros que já tinha escrito e aos que voltei a escrever a partir do ano seguinte.  Afinal, a cada novo ano era uma nova e mais bonita “capricho”, e a cada nova “capricho” era uma nova e sonhadora Mira.

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Mistério

setembro 21, 2009

O que seria da vida das mulheres sem o mistério.  Ele é a pimenta que não deixamos faltar a cada minuto do nosso cotidiano.

Inventamos um monte de “serás” e fantasiamos um mundo totalmente novo , muito mais prazeroso e divertido que o mundo real. Adoramos ficar em dúvida. Mesmo quando queremos avidamente uma resposta, preferimos continuar na dúvida, seja para manter o mistério ou simplesmente para não arriscar ficarmos tristes.  Quer um caso típico? Te dou agora.

Nossa protagonista:Melissa, uma mulher, bonita, se diz segura e acredita viver um momento muito particular em sua vida. Um momento solteira.

Local: Uma cafeteria, no meio da tarde, cheia de gente desinteressante e música “motivadora”.

Situação: O rapaz de terno, sentado num canto da cafeteria demonstra dividir a atenção entre a nossa protagonista e a revista época em suas mãos. Essa, finge não perceber mas pergunta para a amiga.

– Será que ele ta olhando para mim? Bem que poderia né? Ele é lindo.

– Não sei amiga, eu estou de costas, não posso olhar.

– Ai, boba, olha pelo reflexo da janela. Ele num pára de olhar para cá. Tenho certeza. Será que é casado? De aliança ele não está, mas pode ter tirado. Será?

– O nome disso é trauma, amiga, depois daquele idiota do seu colega de trabalho você pensa que todo homem que olha para você é casado.

– Todo não, só os decentes. Mas são esses que eu sempre quero, droga.

– Olha, ele ta olhando para cá de novo.

– Eu acho que esse não é casado não, não tem nem marca de aliança, em nenhuma das duas mãos. Deve estar solteiro pelo menos desde o último verão.

– Você ta certa. Ele é Solteiríssimo. Com o que será que ele trabalha? Eu aposto que é advogado.

– Advogado não lê a época, ele deve ser um corretor da bolsa, afinal, ela fica a duas quadras daqui.

– Ou então um empresário. É um empresário está bom. Um empresário que não para de olhar para mim. Que sorte a minha. O que eu faço agora?

– Olha de volta, depois disfarça, sempre funciona.

– Ele acenou. Ele acenou com a cabeça, estava mesmo me olhando.

-Agora escreve um bilhete. Pegue esse guardanapo. Chama ele para sentar com a gente. Ele está muito solitário naquele canto. E quando ele chegar, nada de perguntar se ele é casado viu. Se ele não te contou não há crime algum.

– Pronto. Terminado. E ele ta olhando de novo.

-Olha,  a garçonete está bem atrás da gente.

Tomando um gole do seu café, como se fosse vodca, ela chama a garçonete.

– Oi, moça, por favor, você poderia entregar esse bilhete para aquele cavalheiro ali no canto. Disse ela rindo de vergonha. Ele, do outro lado, observava atentamente a cena.

– Não. Não posso.

– Como? Não te deixam entregar bilhetes aqui?

– Não, Não é isso.

Do outro lado do salão, o rapaz ria.

– Melissa não entendeu a risada, mas insistiu. Então por que você não pode entregar?

– Por que ele tem namorada.

– Ah é? Bom, disse Melissa voltando sua para o café, deve ser uma chifruda. Ele não parava de olhar para cá.

Quando Melissa completava sua frase com um “Coitada”, sentiu um vulto passando por suas costas. Virou para olhar e lá estava ele. Abraçando a garçonete.

Melissa e a amiga terminaram o café. Não deixaram gorjeta,  nem os 10%.

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L’amour

setembro 6, 2009

Eu acredito no Amor. Mesmo achando que esse seja para mim um  popular desconhecido.

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Aguardem!! Novos post todos os domingos.

Contos, Crônicas e o que passar pela minha cabecinha, atualmente muito ocupada.

Um beijo da Mira