Archive for maio \28\UTC 2009

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Mais um Causo da Solteirona

maio 28, 2009

Devido ao sucesso de o Causo da Solteirona (risos) resolvi dar continuidade ao conto e à personagem.  Aconselho ler o texto citado antes de iniciar a leitura deste.

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Achei que depois daquela cena infantil e patética de uma “balzaca” se esquivando de um beijo ardente ele fosse ignorar a minha existência. O fato ficaria apenas na minha memória e daqui a algum tempo seria esquecido. Não iria vê-lo mais. Mas o vi.

Sabe aqueles encontros casuais planejados? Então, tivemos um desses. Num cenário até um tanto romântico, debaixo de uma lua nova, numa noite de inverno. Estávamos sós, eu e o PhD, sentindo uma  brisa suave e ocasionais gotinhas de chuva que ajudavam a equilibrar a temperatura de nossos corpos. Falávamos de trivialidades para evitar os assuntos picantes e desconcertantes.  Empregos, planos para o futuro, férias, viagens…

No entanto, nossos olhos diziam tudo que não queríamos explicitar.  Eu não queria. Afinal, por que não me revestir de castidade já que pelo tempo de seca eu já poderia ter sido canonizada?

Os olhos dele quase me devoravam. Eu fingia que não via ou que não ligava.

Não bastassem os olhos, o corpo e o título, a situação era promissora e o papo dele me envolvia de uma forma que até me esqueci do medo.

Minha vontade foi de tomar a iniciativa e apagar de vez aquele meu lado infantil. O plano estava elaborado: Segurar ele pelo braço, ficar na ponta dos pés, passar a minha mão para trás da cabeça dele e concedê-lo um primeiro beijo que me tornaria inesquecível.

De fato, ele nunca vai esquecer a maluca que foi beijá-lo, tropeçou e caiu.

Eu nem precisei da bicicleta…

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Nada é maravilhoso demais para ser verdade

maio 27, 2009

Ele nasceu em 22 de setembro de 1791, era pobre e filho de ferreiro. Pouco educado, sabia apenas ler, escrever e fazer alguns cálculos simples. Foi trabalhar encadernando livros aos 13 anos. Logo começou a devorar tudo que podia ler. Os estudos sobre química eram os que mais chamavam sua atenção.

Quando tinha 20 anos participou de uma conferência com um famoso químico inglês da Royal Society e tomou notas. Mais tarde, enviou essas notas para o químico e foi nomeado ajudante de laboratório.  

O progresso desse jovem foi incrível. Trabalhar na Royal Institution mesmo sem uma educação de qualidade e se destacar ainda tão jovem?  No entanto, estou falando de Faraday. Essa foi apenas a primeira proeza desse experimental e analítico por natureza.

Deu inicio à sua carreira com trabalhos em química, mas cedo se interessou pela eletricidade, campo em que mais se destacou.  Foi responsável pelas leis da eletrólise e ainda realizou trabalhos em ótica.

Sua vida é um exemplo de dedicação à ciência e ao conhecimento. Nunca abandou sua simplicidade e recusou inclusive convites para presidente da Royal Society para manter a sua vida experimental. 

Contam que ele era muito sociável e gostava de transmitir seus conhecimentos principalmente para a juventude.

Juntamente com suas grandes contribuições para a ciência, Faraday nos deixou um pensamento:

“Nada é maravilhoso demais para ser verdade”

Essa frase está escrita no prédio do departamento de física da UCLA.

Podemos pensar agora sobre as implicações dessa frase, analisando o progresso de Faraday na ciência. Obviamente você deve estar pensando que Faraday não seria descuidado a tal ponto de afirmar isso tão enfaticamente. De fato, a frase não termina aí, ela é completada com um grande e muitas vezes omitido SE:  “Se estiver de acordo com as Leis da Natureza”

Ainda assim, essa afirmação me dirige a esferas quase impossíveis de pensamento e gasto um tempo imaginando as possíveis coisas maravilhosas que eu ainda quero ver…

Convido você para o mesmo exercício.

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Crianças Não Mentem

maio 24, 2009

Sábado, aproximadamente 10 horas da manhã, depois de duas horas e meia de viagem e de ter acordado às 6:30, chego à igreja onde combinei de encontrar minha mãe e minha irmã. Estava cansada e meu humor não estava dos melhores. Não tinha dormido bem.

Hering 2008

Coleção outono-inverno Hering 2008

Ainda na rodoviária, passei no banheiro, “ajeitei” o cabelo (fiz um rabo, meus cachos normalmente não são muito gentis comigo quando acordo), passei um corretivo nas olheiras e fiz uma maquiagem “meia-boca” para num chegar com a cara lavada, além de amassada. Fui embora, parcialmente satisfeita.  Meia-calça preta opaca, ankle boot e um vestidinho verde. Essa era a minha roupa.

 Desci em frente à igreja. Em reformas. Todos estavam amontoados na classe de jovens. Tudo bem.Tudo bem. Eu posso superar isso.

Entrando lá:

–          Oi, Bom dia!!

Com um sorriso no rosto, vencendo o cansaço e fingindo uma alegria fraternal, respondo:

–          Bom Dia, Feliz Sábado!!

–          O culto já começou?

–          Ah… vai começar agora. A “plataforma” acabou de entrar.

Nesse exato momento passa um menininho e a minha recepcionista chama a atenção dele.

–          Felipe, vem cá.

–          Olha só que moça bonita. (Disse ela para o menino apontando para mim.)

Eu, meio sem graça e bastante grata, dou um sorrisinho tímido para garoto e espero a resposta quase já inflando o peito e imaginando: “Meus pais fizeram um bom trabalho.”

Lembro-me bem. Foi aí que ouvi um sonoro:  

–          Não!!!

–          Não?? Poxa… (Em pensamento: “Não? Como assim? Você ta me chamando de Feia?”)

–          Ah, desculpa. É que ele não gosta de verde.

–          Imagina. Não tem problema.  (Em pensamento, já entrando para igreja morrendo de vergonha de existir: “É amiga, acho que essa desculpa não colou.”)

Crianças não mentem, especialmente quando têm Down. Definitivamente…

Ps: Essa é uma história verídica, infelizmente.

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O Causo da Solteirona

maio 20, 2009

bridgetNa minha frente estava o cara perfeito… perfeito para uma noite e uma noite apenas.

Ele reúne todas as boas qualidades de um homem, e talvez todas as ruins também. Mas eu não queria um namorado. Queria apenas alguém que pudesse me livrar da carência e esquecer no dia seguinte. Alguém do tipo ideal para levantar a moral de uma solteirona que está a meses sem beijar na boca e a anos sem namorado, afogada na sua própria gordura e culpando a genética ou o ex por todos os problemas da sua vida.

Voltemos ao distinto rapaz: Alto, pele clara bronzeada, cabelo castanho bem claro, olhos de jabuticaba, atlético e PhD.  Qualidades quase impossíveis de coexistirem. Pois é, ele tinha todas elas, e o PhD era a que falava mais alto. Convenhamos, é um belo título.  Depois disso vinham empatados os olhos e as pernas. Os olhos muito vivos e ligeiramente puxados davam todo o ar de mistério à figura e pareciam desafiar-me: “Conquiste-me se puder”. As pernas, hum, acho melhor não comentar.

Nossa, como eu queria poder conquistá-lo. Só por uma noite, só por uns minutos.  Só para o meu ego ficar feliz e eu tirar de vez da minha cabeça a idéia de que não sou mais capaz.  Namorar muito tempo me fez achar que não sei mais as técnicas da “paquera” e agora, tenho duvidado inclusive da qualidade do que mais elogiam em mim: O Beijo. As pessoas dizem que beijar é igual andar de bicicleta, mas quando tento relacionar os fatos me lembro é do gosto do asfalto.

Ele estava ali, parado na minha frente, esperando apenas um pequeno sinal, talvez um sorriso delator ou um piscar de olhos mais provocante, para passar aqueles braços (e que braços) em volta de mim e segurar a minha cabeça por trás e me beijar como se eu fosse a mulher mais desejada do mundo e eu me esquivei. Fui embora rindo como uma criança como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse esperança nenhuma e principalmente nenhum desejo.  Eu ardia por dentro, mas tive medo. Medo de enfrentar a mim mesma e quem sabe, cair da bicicleta.

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Introdução

maio 20, 2009

Escrever é um hobby e publicar é um desafio.

Sempre gostei de desafios. Quando adolescente tinha um blog no weblogger (não existe mais) com esse mesmo título. Vou começar dizendo o porquê dele.

Sorumbática significa triste,abatida, e isso eu não sou. Gosto da palavra pelo mesmo motivo que não gosto da palavra “bem”. Pela fonética. Costumo não gostar de usar palavras pouco conhecidas, mas como estou dizendo o significado aqui, posso fazê-lo sem prejuízo ao leitor.

Esse blog será meu caderno de anotações público. Sempre fiz anotações das coisas que me impressionaram durante o dia, das atitudes que tomei, etc. É algo que me ajuda a pensar e fazer uma auto-análise. Não pretendo dividir com você todos esses pensamentos, primeiro porque algumas coisas são particulares e segundo porque ficaria cansado de ler tanta bobagem. Por isso, aqui terá apenas uma seleção dos melhores textos que um dia escrevi.  

Além disso, você poderá encontrar aqui um pouquinho sobre ciência (meu mundo acadêmico), sobre literatura (meu segundo refúgio) e sobre arte e música (minha fuga).  Não fique preocupado com o excesso de uso da 1ª. Pessoa nessa introdução. Sempre procuro escrever genericamente.

Puxe a sua cadeira e vamos brincar com as palavras…