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Memórias – O Diário

Adolescente pensava ser mulher. Grande, forte e decidida. Tinha opinião para tudo e poucas pessoas não estavam minuciosamente descritas em meu diário. O símbolo maior de minha inteligência e perspicácia, misturada com a ousadia, apimentado com algumas maldades infantis.

Como a maioria dos diários, ele não era tão secreto quanto a dona dele imaginava. Mais esperta era a minha irmã, que escrevia em código, coisa que eu, que tinha vivido pouco mais de uma década,  não tinha criatividade suficiente para fazer. Nem capacidade para decifrar o código dela eu tinha. Mas ainda me achava inteligente. A inteligência era do mesmo tamanho da minha ingenuidade. Deixava o meu caro companheiro, que nem cadeado tinha porque era agenda “Capricho”, em qualquer parte da casa. Aposto que minhas irmãs o liam. Que se divertiam dando risadas com as amigas das orações rebuscadas e ridículas que escrevia, dos planos mirabolantes, com ou sem trocadilhos, e das paixões que sentia por meninos que mesmo sem conhecer direito jurava ser o “Homem” ideal para minha vida. Juraria Amores eternos também se não achasse isso muito clichê. O meu diário era diferente do das minhas amigas. Eu era diferente.  Diferente e descuidada.

Certa vez, estava com um “namoradinho” em casa e meu diário estava em cima do piano, na sala. Em um determinado momento, minha irmã me chamou no quarto. Não lembro o que ela queria, mas não devo tê-lo deixado sozinho por mais de 5 minutos. Quando cheguei novamente à sala, encontrei-o abrindo a porta e sainda. Lembro de segurar a porta do elevador , e perguntar, quase chorando, o que tinha acontecido. Ele não falou nada. Apenas pediu que a soltasse. Quando voltei para o apartamento,  o diário estava fora do lugar. Agora, sobre o sofá.

Reli cada linha das várias páginas escritas procurando a resposta para aquela atitude estranha. Para aquele fim tão inesperado. Não a encontrei, existiam muitas possíveis respostas, mas nenhuma suficientemente esclarecedora.  Relembrei toda história que tivemos. Ela estava claramente registrada por palavras de uma menina boba e cheia de sonhos que acabara de perder a chance de realizá-los. Fechei o diário e o coloquei na caixa em que ele até hoje, junto com todos os outros que já tinha escrito e aos que voltei a escrever a partir do ano seguinte.  Afinal, a cada novo ano era uma nova e mais bonita “capricho”, e a cada nova “capricho” era uma nova e sonhadora Mira.

Mistério

O que seria da vida das mulheres sem o mistério.  Ele é a pimenta que não deixamos faltar a cada minuto do nosso cotidiano.

Inventamos um monte de “serás” e fantasiamos um mundo totalmente novo , muito mais prazeroso e divertido que o mundo real. Adoramos ficar em dúvida. Mesmo quando queremos avidamente uma resposta, preferimos continuar na dúvida, seja para manter o mistério ou simplesmente para não arriscar ficarmos tristes.  Quer um caso típico? Te dou agora.

Nossa protagonista:Melissa, uma mulher, bonita, se diz segura e acredita viver um momento muito particular em sua vida. Um momento solteira.

Local: Uma cafeteria, no meio da tarde, cheia de gente desinteressante e música “motivadora”.

Situação: O rapaz de terno, sentado num canto da cafeteria demonstra dividir a atenção entre a nossa protagonista e a revista época em suas mãos. Essa, finge não perceber mas pergunta para a amiga.

- Será que ele ta olhando para mim? Bem que poderia né? Ele é lindo.

- Não sei amiga, eu estou de costas, não posso olhar.

- Ai, boba, olha pelo reflexo da janela. Ele num pára de olhar para cá. Tenho certeza. Será que é casado? De aliança ele não está, mas pode ter tirado. Será?

- O nome disso é trauma, amiga, depois daquele idiota do seu colega de trabalho você pensa que todo homem que olha para você é casado.

- Todo não, só os decentes. Mas são esses que eu sempre quero, droga.

- Olha, ele ta olhando para cá de novo.

- Eu acho que esse não é casado não, não tem nem marca de aliança, em nenhuma das duas mãos. Deve estar solteiro pelo menos desde o último verão.

- Você ta certa. Ele é Solteiríssimo. Com o que será que ele trabalha? Eu aposto que é advogado.

- Advogado não lê a época, ele deve ser um corretor da bolsa, afinal, ela fica a duas quadras daqui.

- Ou então um empresário. É um empresário está bom. Um empresário que não para de olhar para mim. Que sorte a minha. O que eu faço agora?

- Olha de volta, depois disfarça, sempre funciona.

- Ele acenou. Ele acenou com a cabeça, estava mesmo me olhando.

-Agora escreve um bilhete. Pegue esse guardanapo. Chama ele para sentar com a gente. Ele está muito solitário naquele canto. E quando ele chegar, nada de perguntar se ele é casado viu. Se ele não te contou não há crime algum.

- Pronto. Terminado. E ele ta olhando de novo.

-Olha,  a garçonete está bem atrás da gente.

Tomando um gole do seu café, como se fosse vodca, ela chama a garçonete.

- Oi, moça, por favor, você poderia entregar esse bilhete para aquele cavalheiro ali no canto. Disse ela rindo de vergonha. Ele, do outro lado, observava atentamente a cena.

- Não. Não posso.

- Como? Não te deixam entregar bilhetes aqui?

- Não, Não é isso.

Do outro lado do salão, o rapaz ria.

- Melissa não entendeu a risada, mas insistiu. Então por que você não pode entregar?

- Por que ele tem namorada.

- Ah é? Bom, disse Melissa voltando sua para o café, deve ser uma chifruda. Ele não parava de olhar para cá.

Quando Melissa completava sua frase com um “Coitada”, sentiu um vulto passando por suas costas. Virou para olhar e lá estava ele. Abraçando a garçonete.

Melissa e a amiga terminaram o café. Não deixaram gorjeta,  nem os 10%.

L’amour

Eu acredito no Amor. Mesmo achando que esse seja para mim um  popular desconhecido.

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Aguardem!! Novos post todos os domingos.

Contos, Crônicas e o que passar pela minha cabecinha, atualmente muito ocupada.

Um beijo da Mira

Sobre Frutos Estragados

Por tempos tenho passado por campos verdes, cheio de árvores viçosas e bem cuidadas. Vivendo uma vida feliz, sem ao menos perceber.

Tinha que ser Morangos!!!

Tinha que ser Morangos, não são frutos de verdade!! Viva às Metáforas!!

Hoje me dei conta de tão egoísta eu tenho sido. Tenho guardados todos os frutos das árvores apenas para mim. Além disso, ainda os deixo estragar empilhados num canto. Depois que estragam,  reclamo do mal cheio.

Fui eu que escolhi isso. Eu escolhi ser egoísta. Agora, devo agüentar o meu próprio lixo?

Nada disso. Eu vou fazer a faxina. Vou colocar as luvas (claro, isso está nojento) e enterrar todo esse lixo dentro de sacos biodegradáveis. Sim, enterrarei cada fruto mal aproveitado. Eles serão adubo para os próximos frutos que viram. Mais belos e deliciosos que os anterior, principalmente porque serão divididos.

A Mira Morreu

-          A Mira morreu

-          Morreu de quê?

-          Morte matada ou morte morrida?

-          Morte de Cansada

-          Chegou, colocou as pernas para o ar, respirou fundo e apagou.  Quase esqueceu que tinha um blog…

História de Gaveta : Escrita a caminho de BH, em algum dia da Semana Santa.

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Toda vez que viajo de ônibus é a mesma história. Minha mente transporta-me a um fim de tarde de 2007. Não sei precisar melhor a data.

Estou num pássaro verde agora, tenho mais esperanças. Naquele dia, o pássaro era “Marron”. Viajava de Campinas a São José dos Campos.

Lembro-me da minha felicidade quando consegui chegar à rodoviária a tempo de pegar o ônibus das 17:30h. Chegaria meia hora mais cedo que planejado. Sentei-me no fundo do ônibus.  Aquele dia queria ficar isolada.

Pouco depois de passar por Atibaia, ouvi um estouro muito forte. Não conhecia o barulho. Logo, pessoas gritaram praticamente em coro: “Não pára, motorista, não pára.”

Passados alguns quilômetros, o motorista parou.

Havia um furo pequeno em um vidro e uma janela quebrada do outro lado do ônibus.  Foi um tiro. Felizmente não houve feridos.

A história não termina aqui, infelizmente.

Retornamos à delegacia mais próxima. No caminho, três homens pediram para descer num trevo perto de Atibaia. Melhor não negar. Um policial lindo fez a perícia e concluiu: “A arma foi disparada do interior do veículo. A cápsula da bala está aqui.”

A culpa foi em segundos para os homens que “abandonaram a embarcação”; Negros, mal vestidos e cheirando a álcool. “Eles podem ter disparado acidentalmente” já que, para nossa felicidade, ninguém gritou  “Isso é um assalto. Abram as bolsas e passem pra cá celulares, jóias e dinheiro.”

Na delegacia conversei com a mulher que estava sentada junto à janela quebrada. Provavelmente o projétil ricocheteou ali e saiu pela janela com o furo.

-Menina, eu senti a bala passando atrás da minha cabeça. Deu para sentir o ventinho que fez, eu podia estar morta agora. Imagina. Se eu estivesse um pouquinho mais para trás. Nossa, que tragédia. Menina, num quero nem imaginar. Ainda bem que num aconteceu nada né menina?

- É. Graças a Deus. Respondi meio assustada, meio distraída.

- Sabe menina, a minha cabeça agora tá cheia de caco de vidro. Tá coçando, mas eu num posso coçar senão corta tudo né?  Menina, parecia que eu tava sentindo que ia acontecer alguma coisa hoje.   Acordei com a cabeça coçando. Até falei com a menina que trabalha comigo hoje pela manhã: “Nossa, parece que meu cabelo tá cheio de areia.”  Será que foi premonição?

Não respondi à pergunta. Aquela senhora já estava me irritando com aquele “menina” repetitivo. Eu só queria chegar logo.

Podia acabar ali, mas tive que ouvir ela dando seu testemunho para mais umas cinco pessoas.

Saldo final da viagem: Um momento de pânico. Uma gorda velha chata que não parava de gabar sua habilidade premonitiva e reclamar da cabeça coçando. Duas horas de atraso. Um trauma do trecho.  Uma história para contar e boas gargalhadas ao imaginar a gorda tirando os cacos de vidro da cabeça, quem sabe, com um aspirador de pó.

Quanto à viagem de agora, minhas esperanças foram reduzidas. Acabou de entrar uma menininha. Mila o nome dela. Não pára de falar um minuto. A vózinha do meu lado, surpreendentemente “high-tech” joga no seu celular, produzindo barulhinhos agudos e repetitivos. Atrás de mim tem um senhor soprando (aquele ronco que mais parece um assobio) e a estrada até BH é horrorosa.

Se nessa viagem eu construir memórias piores, não há mais riscos. As daquele fim de tarde num pássaro “Marron” já foram devidamente documentadas.

Imagino agora, a mesma história contada pela gorda. Espero que na versão dela não conste duendes.

No SPA…

Sete horas toca a campainha. É a hora de acordar. Olho para o lado e a gordinha do meu lado só se vira na cama. Quero fazer o mesmo, mas se eu demorar a monitora vem apitar no meu ouvido. “Tá bom, só mais cinco minutinhos.”

“Piiiiiiiiiiii”

Levanto num pulo antes mesmo de abrir os olhos. Acho que os meus cinco minutos são bem maiores que os deles. “Esses vigias, até o tempo eles diminuem. Não basta a comida?”

Rosto lavado, roupa posta, barriga roncando. “Acho que comeria um elefante. Será que carne de elefante é gostosa? Ah, nem importa, qualquer coisa seria melhor que o nada que eu vou comer.” Cheguo ao restaurante. A decoração do salão está linda. Todos aqueles cartazes de pessoas magras que dizem: “Eu consegui. Você também consegue” e as fotos de antes e depois em cima de cada mesa são realmente animadores. Sim, eu vou conseguir, mas precisa ser tão radical assim?  Meia fatia de pão de forma sem nem margarina, um oitavo de maça e uma jarra, sim, uma jarra, de chá sem açúcar. Pensar que isso aqui tem que me fornecer energia suficiente para caminhar durante uma hora, fazer hidroginástica, para relaxar: sauna, e para finalizar a rotina da manhã, 30 minutos de bicicleta. “Tá bom, tá bom, eu concordo. Tenho reserva demais, mas podia perder dormindo, igual urso.”

Termino de comer e levanto da mesa já pensando: “Mulheres elegantes não sentem fome”, ou melhor , “Mulheres que querem ser elegantes não sentem fome.”  Ouço um ronco. Aquilo era qualquer coisa menos o meu estômago. Coloco o tênis e vou caminhar. Uma hora de caminhada até que seria tranqüila, faço todos os dias por recomendação médica, mas aquela magrela metida a “personal” gritando no nosso ouvido o tempo todo: “Vamos, aperta o passo”, “pensem no biquíni que vão usar no verão” irrita. Pior que ela, só a ladeira.

O resto da manhã foi tranqüila, tirando as duas colegas que desmaiaram na sauna.

O almoço: muita salada com uma colher de sopa de arroz integral. Aquele alface com tomates estava uma delícia.

Saio do almoço empolgada para as duas horas de nutricionistas falando sobre todos os tipos de regimes e reeducação alimentares, mas rapidamente pego no sono. “Como é bom dormir.”

“Piiii”

“De novo não”.  Depois da palestra, academia. E depois da ginática, minha parte preferida, o cinema.  Será que consigo ficar igual a Angelina? Claro que sim, 40 quilos não são nada. Logo em seguida, caminhada livre, ainda bem, não aguentaria aquela chata mais um vez. Aproveitando a liberdade, desvio da rota, e me deparo com um pé de amoras carregadíssimo. Coloco o máximo que consigo na sacola estratégica que carrego todos os dias, como algumas e volto para a prisão. À noite não tem programação da clínica, mas tem revista de quartos. Droga, levaram as minhas amoras.

“Que sono, que fome, e amanhã tudo se repete. Inclusive as amoras. Como eu queria um chocolate.”

Não me Desafie

Não, você não me conhece, e acho que nem quer conhecer. Mas foi você quem me desafiou.
Vi uma resposta sua em um fórum do Orkut e gostei da forma que você organiza as ideias e que defende a sua opinião. Olhei a foto do perfil e pensei: “Esse cara parece ser interessante”.
Entrando no seu perfil, minha curiosidade transbordante depara-se com as seguintes frases: “Só quero passar despercebido pelo orkut… Quem quiser me conhecer, que faça pessoalmente!! “
Quanto à primeira frase, te informo que falhou e custo a acreditar que ela seja verdade… Ninguém com centenas de fotos abertas, algumas quase narcisistas quer, de fato, passar despercebido.
Agora, se você me perguntasse: “Quer me conhecer pessoalmente?” a resposta seria:
“É… você parece uma boa pessoa para conhecer assim, casualmente, sentando ao lado durante uma viagem, ou mesmo de encontro marcado.” Mas, como a probabilidade da primeira opção acontecer é maior que a segunda eu encerro esse e-mail e envio apenas porque fiquei com vontade de te contrariar.
Até mais, ou nunca mais.

Today is a special day…

Comecei com essas palavras o discurso de ação de graças no colegial. Era a introdução para uma peça (Música + Encenação)  que apresentaria junto com minha turma de inglês. O Auditório estava lotado, devia ter umas 400 pessoas alí. Lembro de sentir minha barriga gelada e as mãos tremerem. Não estava acostumada a falar em público, muito menos em uma língua diferente da pátria. Do conteúdo do discurso não me lembro. Sei apenas que falava que era o dia para dizermos aos que amamos o quanto eles eram importantes e falarmos o mesmo ao mundo. Um dia para agradecer à Deus pelas bênçãos recebidas e demonstrar nossa gratidão com atitudes a fim de tornar o mundo um “lugar melhor, para você, para mim e para toda raça humana.”

Esse dia se passou há 5 anos, mas é muito recorrente agora em minha mente. Afinal, a Mensagem “Heal the World” foi escrita, composta e espalhada por ele. Sim, o Rei do Pop.

Faço minhas, agora,  suas palavras:

“There are people dying
If you care enough for the living
Make it a better place
For you and for me”

Sobre Loucos e seus Amores

Trecho de “Uma Mente Inquieta” de Kay Jamison

“Nenhuma quantidade de amor pode curar a loucura ou iluminar nossas melancolias profundas. [...] A loucura, por outro lado, sem a menor dúvida e com frequência consegue destruir o amor através da desconfiança, do seu pessimismo implacável, das suas insatisfações, do comportamento imprevisível e, especialmente, dos seus estados irracionais”.

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Agora um diálogo ilustrativo…

- Oi Amor… Amor? O que você está fazendo?

- Ah, oi.

- Lúcia?

- Silêncio!!

- Por que? O que você está fazendo?

- Estou escrevendo um texto.  Um texto lindo. Perfeito. Agora fica quieto senão as palavras vão se assustar e fugir do papel e depois vou ficar horas igual galinha procurando milho. Por falar em galinhas, você sabia que elas são canibais? Descobri isso hoje. Mas não é de propósito. Elas nem sabem que são. Coitadas.

- O que você está escrevendo? É sobre as galinhas?

- Galinhas, que galinhas? Eu estou escrevendo sobre um avião. Galinhas não podem voar. Eu quero coisas que voem.  Posso escrever sobre um pato.  Não, patos não. São muito patetas. Eu quero mesmo é um aviãzinho de papel. Eu gostava tanto quando era criança. Meu irmão vivia tacando uns em mim enquanto estudávamos na sala de casa. Nosso pai fingia que não via para num precisar brigar com a gente, mas a gente sabia que lá de longe ele estava rindo. Eu fingia que ficava com raiva, senão num tinha graça a brincadeira.

- Posso ver o que você escreveu?

-Toma essa porcaria logo de uma vez.

- Eu não entendo nada. Aqui só tem um monte de números.

- Claro, está criptografado. Eu não confio em você, você me trai. Todo mundo é traidor. Não se pode confiar em ninguém.

- Querida. Sou eu. Eu não sou traidor. Você sabe que eu te amo. Eu nunca faria isso.

- Ah.. é verdade, os burros amantes… Entregam-se e estragam-se.

- Lê para mim o que está escrito?

- Não sabe ler?

- Eu já disse, não consigo, está criptografado.

- Isso não é criptografia. É hieróglifo.

- Mas querida, são números.

- Você pensa que são números, mas eles sabem que são hieróglifos

- Eles? Eles quem?

- Oras, não é óbvio?  Os mosquitos.

- Eles não estão aqui agora. Você pode ler para mim?

- Claro que sim. Eu te amo. Eu faço o que você quiser. Deixe me ver:

Ah, claro: “Derrubei a tinta branca sobre o papel azul. De repente, tudo ficou laranja e escorreguei. Os calos nas mãos não tinham mais graça nenhuma. Esqueci a brincadeira e plantei bananeira. Ou seria amoreira?”.

- Querida, não era sobre avião?

- E é. Não está óbvio? O avião caiu.

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Opiniões, Análises, pitacos e críticas serão muito bem vindos. Contribua, esse é um post interativo.  Ele continua com a visão, e principalmente, com as palavras de vocês.

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